Branding | Marketing

Gamificação como estratégia de marketing.

Sejam analógicos ou eletrônicos, a humanidade sempre teve grande atração por jogos.

No passado, podemos citar como exemplos os gregos com seus jogos olímpicos, os romanos com suas lutas entre gladiadores, sem esquecer também dos famosos jogos de tabuleiro, como xadrez e o gamão.

No presente, são fartos os exemplos de games online que envolvem milhões de apaixonados jogadores, como Minecraft, Fortnite, League of Legends, Call of Duty, GTA e outros.

De acordo com a empresa de pesquisa Newzoo, temos aproximadamente 2,5 bilhões de gamers no mundo. No Brasil, estima-se que 66% das pessoas jogam, independentemente do tipo de dispositivo.

Não é à toa que o mercado de games fatura sozinho mais do que a indústria de cinema e música juntos (US $101 bilhões contra US $64 bilhões, dados de 2016).

Estes números mostram que jogar faz parte do cotidiano das pessoas e aplicar elementos de jogos em atividades que não são de entretenimento pode ajudar no engajamento e na motivação.

“o mercado de games fatura sozinho mais do que a indústria de cinema e música juntos”

Atentas a esse movimento, empresas estão adotando o conceito dos games (ou gamificação) em suas estratégias de marketing para engajar consumidores, treinar e estimular funcionários, e claro, vender mais.

Segundo um levantamento da Gartner, a gamificação movimenta mais de US $5 bilhões no mundo. Nesse contexto, 70% das maiores empresas do planeta tem pelo menos uma aplicação que utiliza esse conceito.

Quer saber mais? Então continue lendo este artigo.

Antes de mais nada, o que é gamificação?

Popularizada a partir de 2010, gamificação, do inglês gamification, é a prática de aplicar mecânicas de jogos em diversas áreas, como negócios, saúde e vida social. O principal objetivo é aumentar o engajamento e despertar a curiosidade dos usuários.

Embora não seja necessário criar um jogo em si, o conceito de gamificação fala do alinhamento da estratégia de comunicação de uma empresa à dinâmica de jogos. A ideia é formar um ambiente lúdico com aplicação de elementos de competição, regras e pontuações para interagir com o público-alvo.

Com a gamificação, a empresa consegue estabelecer contato com a sua audiência sem interrupções e, o melhor, sem ser invasiva. Assim, as ações são mais eficazes. Além disso, como ela tem ligação direta com a tecnologia e o universo digital, essa é uma abordagem certeira para se conectar com as gerações mais jovens.

E o que seriam esses conceitos e estruturação dos jogos?

Segundo uma pesquisa feita pela designer de jogos Jane McGonigal, são quatro os fatores presentes em todos os tipos de jogos e que devem ser replicados no processo de gamificação.

São eles:

1) Meta: objetivo maior do jogo, seja cumprir fases ou atingir um determinado nível;

2)  Regras: a forma como o jogador deverá se portar no jogo;

3) Feedback: o jeito de mostrar ao jogador como ele está se saindo. Também a forma de mantê-lo engajado e

4)  Participação voluntária: é o desejo do participante em continuar, por encontrar harmonia nos demais fatores

Portanto, é necessário que as marcas estejam cientes desses quatro elementos, pois são decisivos em estratégias de marketing baseadas na gamificação.

E porquê usar o Gamification?

Muito mais do que uma tendência, o gamification é algo que veio para ficar, visto que traz uma série de benefícios para as marcas. Entre eles podemos citar:

Alcance da marca: se alguém curtir muito uma experiência baseada em gamification, certamente vai se motivar para contar tudo aos seus amigos e fazer boas recomendações. Assim, conteúdos gamificados se encaixam dentro do velho e conhecido marketing boca a boca.

Ampliação de conversas: a empresa pode desenvolver jogos ou dinâmicas que estimulem a interação do público nas plataformas digitais. A ideia é utilizar as ferramentas que mais combinam com a sua rede e fazer com que eles se sintam verdadeiramente ouvidos. A conversa pode render ótimos insights sobre qualquer etapa do processo de atuação da empresa, desde a captação até o pós-venda.

“se alguém curtir muito uma experiência baseada em gamification, certamente vai se motivar para contar tudo aos seus amigos e fazer boas recomendações.”

Melhoria da imagem: a gamificação tem o poder de fixar a imagem da empresa na mente dos clientes e, com isso, atrair novo público e, de quebra, gerar fidelização. Ao oferecer entretenimento e recompensa, tecnologia e interação, a marca consegue se destacar dos seus concorrentes e criar experiências memoráveis para sua audiência.

Coleta de dados: O mercado já entendeu que conteúdos gamificados são excelentes pra conhecer a fundo a audiência. Afinal, fornecem informações sobre os hábitos de consumo e os interesses dos jogadores. Lembra do Candy Crush, do Farmville e de outros joguinhos para smartphones? Pois bem, eles promovem a competição e interação com seus amigos, mas, ao mesmo tempo, estão armazenando informações.

Ok, me convenceu, mas como usar a gamificação?

A gamificação é uma excelente técnica, mas não faz tudo sozinha. De modo geral, ela complementa as estratégias de marketing de uma empresa, ou seja, um conjunto de ações que vem somar forças com as demais ferramentas de comunicação escolhidas pela empresa.

Por mais contemporâneos e efetivos que sejam os games, eles são apenas parte de um todo — não tem como sustentar a imagem e o diálogo de uma marca só com esse conceito.

Por isso, antes de qualquer decisão de incluir a gamificação em sua marca, é necessário estar em dia com sua estratégia de branding. Isso por conta do storytelling e demais passos a serem desenvolvidos na estratégia de uma campanha gamificada.

“Por mais contemporâneos e efetivos que sejam os games, eles são apenas parte de um todo — não tem como sustentar a imagem e o diálogo de uma marca só com esse conceito. “

A escolha de como incluir a gamificação depende do objetivo de cada marca.

Marcas que buscam awareness podem utilizar uma estratégia de gamificação totalmente diferente de outras que já possuem um bom conhecimento de marca e buscam apenas o aumento de suas vendas. Como por exemplo um programa de benefícios para vendedores ou clientes, usado pelo Mercado Livre.

Portanto o objetivo, base central de toda estratégia, é também o que vai definir sobre a escolha de como usar a gamificação.

Confira agora o passo a passo para implementar essa tendência em seu negócio!

Com quem vamos falar?

O primeiro passo para implementar um projeto de gamificação é realizar um diagnóstico do público a ser impactado. Ao considerar o perfil dos usuários que vão utilizar a plataforma, será possível conhecer melhor as limitações, comportamentos, referências, habilidades e expectativas do grupo.

Dessa forma, você conseguirá criar um jogo que seja realmente interessante para os participantes, com linguagem, etapas e funcionamentos adequados à sua realidade.

Qual o propósito do jogo?

Outro ponto importante para a implementação da gamificação é definir o objetivo da ação: o game será destinado para o treinamento de novos colaboradores? Para alavancar as vendas de um determinado produto ou serviço? Ou para um setor específico? Dessa forma, é mais fácil planejar seu funcionamento, quais informações deverão ser utilizadas e quais não serão relevantes, entre outras questões.

Invista na pontuação

Quem acha que a implementação da gamificação segue um bê-á-bá inflexível está enganado. Na verdade, é possível criar soluções que tornem o jogo mais interessante. Adotar um sistema de premiação, por exemplo, é uma alternativa atrativa para engajar os jogadores e tornar o processo mais satisfatório.

Mensure os resultados

Qual o sentido de adotar um projeto e não verificar quais são as suas consequências? É nesse cenário que surge a importância de mensurar os resultados. Certifique-se de que os games atingiram as metas e objetivos traçados. Caso algo saia diferente do planejado, é preciso fazer os devidos reparos.

“Certifique-se de que os games atingiram as metas e objetivos traçados.”

Como envolver o cliente e fazer ele crescer dentro da marca e da empresa?

A cereja do bolo da gamificação é a experiência.

Por conta dela, clientes e marcas se conectam, se engajam e mantêm uma longa relação. Costumamos dizer por aqui que sem valorizar a experiência do usuário, em qualquer nível, a campanha é só um aglomerado de ações.

Uma vez conectado, o cliente se envolve, é movido por incentivos e recompensas e vive um ciclo dentro do jogo, onde a marca se torna parte do seu dia a dia e com isso conquista corações.

E como fazer isso?

Através dos estímulos certos para as pessoas certas. Entender o perfil do cliente é fundamental para lançar a estratégia certa.

Identificar seus hábitos e costumes pode ser a chave para desenvolver uma motivação que tenha valor para ele. Que traga ao seu dia a vontade de ficar cada vez mais interligado à sua marca, uma experiência.

A seguir alguns cases de como algumas marcas realizaram a gamificação e se aproximaram dos clientes.

Cases de gamificação

Airbnb

A plataforma de imóveis, passeios e experiências beneficia anfitriões que são melhores recomendados, criando assim um incentivo para quem busca estar sempre bem avaliado. Anfitriões melhores pontuados são prioridades nos resultados de busca, além de ganharem títulos dentro da plataforma. A gameficação gera anfitriões mais dedicados e clientes mais satisfeitos.

Pão de açúcar

A rede de supermercados possui gamificação para dois tipos de públicos. Um engajado no aplicativo, que acumula pontos e troca por mercadorias. Outro mais familiarizado com o mundo offline, que coleciona selos a cada compra, e troca por mercadorias na loja. Há ainda os públicos híbridos, que consomem os dois tipos de games.

AXN – Lincoln Rhyme

O canal de TV resolveu apostar verticalmente na gamificação para o lançamento da série Lincoln Rhyme. O game criado especificamente para esta ação possuía pistas de um crime a ser solucionado, alinhado com o tema do programa. O canal ainda fechou parceria com pizzarias locais, que venderam e entregaram pizzas em São Paulo e no Rio de Janeiro, compradas diretamente pelo jogo.

O Boticário – Avakin Life

A empresa anunciou sua entrada para o mundo gamer com o jogo Avakin Life, onde é possível entrar em uma loja e comprar produtos que são entregues na casa do gamer. No jogo é necessário adquirir boticoins (a moeda virtual da marca) para realizar compras na loja.

Crédito: Avakin

Mova Mais

O Mova Mais é um aplicativo para smartphones que tem uma proposta simples: recompensar jogadores que fazem exercícios com pontos, que podem ser trocados por serviços. Os usuários recebem pontuações extras caso se exercitem por vários dias seguidos, além de mostrar o progresso e permitir a interação com os amigos.

Mercado Livre

Gamificar as compras é uma tendência para e-commerce. Atualmente, os vendedores possuem pontuação de vendas, avaliações e são rankeados dentro da plataforma. Já os clientes, ganham pontos a cada compra. Quanto maior o nível de compras, mais benefícios o cliente possui, como prioridade no atendimento ou frete grátis.

Como usar a gamificação na minha empresa?

A gamificação é um universo a ser explorado de muitas formas.

Sutil ou em uma estratégia vertical, conectar empresas e clientes é o que faz da gamificação uma estratégia inovadora, moderna e tecnológica.

E você, quer usar a gamificação para sua marca?

Então vem ser Roxo com a gente!