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Turma da Mônica: do papel para a realidade.

“CEBOLINHAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!” Garanto que esse é um grito familiar para muitos brasileiros. Desde a infância crescemos absorvendo os quadrinhos da Turma da Mônica, que tanto nos entretinham, nos faziam rir e refletir sobre diversas situações.

Como se tivessem vida própria, a Turma da Mônica saiu do papel e passou a fazer parte diretamente de nossa realidade em forma de marca. Uma marca que foi ganhando espaço nas telas de cinema, na TV, e até mesmo em parques temáticos, e que aos poucos passou a marcar presença em quase todas as famílias do Brasil: em formato de produtos alimentícios, de higiene, vestimentas, brinquedos e entretenimento.

Aliás, é isso que as historinhas do Mauricio de Souza são: familiares. O que começou como uma tirinha para jornais em 1959 tornou-se um grande meio de identificação para muitas pessoas.

Quem não se lembra dos personagens mais famosos do Brasil? Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão ganharam vida de tal forma que conseguíamos nos enxergar um pouco em cada um deles. 

Os Quadrinhos da Turma da Mônica deram vida a todos esses personagens de uma forma única, incitando a imaginação e criando identidade com o público durante quase um século. Consequentemente, tornou-se uma experiência de marca, repleta de cores, sons e percepções emocionais.

Os quadrinhos surgiram em 1959, quando Mauricio de Souza, nascido em Santa Isabel, decidiu morar em São Paulo. Seu sonho era ser desenhista, mas conseguiu seu primeiro emprego no jornal policial Folha da Manhã. Começou a publicar seus primeiros personagens, Bidu e Franjinha, nas tirinhas do jornal. Em seguida, vieram as tirinhas do Cebolinha, e só em 1963 é que a Mônica surgiu. E surgiu para ficar.

Primeiros personagens de Mauricio de Souza.
Foto: Via Twitter | Mauricio de Souza

O Cascão, o Chico Bento e a Magali, vieram respectivamente em seguida. A Turma do Chico Bento, inclusive, é formada por personagens que foram inspirados na infância de Mauricio de Souza, o qual cresceu no interior.

Aos poucos, as tirinhas se transformaram em revistas de quadrinhos (e em revistinhas de bolso também!) e as histórias se popularizaram, passando a fazer parte da rotina de quase todo cidadão brasileiro. Muitos outros personagens vieram, abrangendo diversas realidades, culturas e gêneros literários diferentes: o Papa-Capim representando a cultura indígena, a Turma do Chico Bento, A Turma do Penadinho parodiando o gênero de terror, o Jotalhão figurando a Turma da Mata, e muitos outros.

A Turma como marca

Com o tempo, a Turma da Mônica virou uma marca (e 101% brasileira!). As cores dos quadrinhos, o toque e o cheiro das revistinhas, a imersão nas histórias, a experiência completa da leitura, que alimentava a imaginação de inúmeras crianças. E tudo isso, foi construído através de uma estrutura de branding excepcional, que se estendeu para o ramo dos produtos, começando pelos alimentícios.

Notamos a presença do branding na marca Turma da Mônica através da percepção de seus elementos marcantes. O logotipo, a tipografia, a paleta de cores, os elementos gráficos e o pattern foram minuciosamente pensados para que um dos maiores cases de branding fosse lançado no Brasil.

O logotipo é formado por uma tipografia única, que faz parte do estilo Comic, nas cores Vermelho e Amarelo. Essa tipografia por si só já transmite toda a diversão dos quadrinhos, e contém toda a essência dos traços dos desenhos de Mauricio de Souza.

A paleta de cores, em que o vermelho foi aplicado como cor primária, e o amarelo como secundária, acompanha as cores das vestimentos dos personagens. Um exemplo disso é o fato de a Mônica, protagonista das tirinhas e da marca, usar um vestido vermelho, enquanto Magali, apresentada como uma protagonista um pouco mais secundária, usa sempre um vestido amarelo. O personagem Cascão também é contemplado com vestimentas das duas cores. Já Cebolinha, é vestido com uma camiseta verde, que é uma cor secundária que da sustentação para a marca.

Logotipo Turma da Mônica.
Logo: MSP

Os elementos gráficos da Turma são notáveis de longe: o coelho Sansão, os dentes da Mônica, a melancia de Magali, e também o cachorro Bidu, que antigamente era utilizado como o ícone principal da marca.

O pattern, por sua vez, é comumente estruturado pelas cores vermelho, amarelo e verde, respectivas aos personagens principais. Esporadicamente, a marca utiliza repetições de ícones ou de símbolos, como bolinhas, para ilustrar estampas gráficas ou embalagens de produtos.

Todos esses elementos fazem parte do branding implementados nas revistinhas. Mais tarde, tudo isso passou a ser aplicado em embalagens de produtos, começando pelos alimentícios.

Quem não se lembra do Jotalhão nas embalagens de molho de tomate “Elefante” da CICA? O personagem começou a aparecer nos rótulos em 1979, e em 1993, quando a CICA foi comprada pela Unilever, as embalagens protagonizadas pelo Jotalhão passaram a ser distribuídas internacionalmente. Nos anos 1970 e 1980, a propaganda de TV do extrato de tomate ficou famosa pela música: “Ô Mônica, abrace o elefante…”. Hoje, a proprietária dos extratos de tomate “Elefante” é a Cargill.

Jotalhão como identidade visual do molho Elefante.
Foto: Cidade Marketing | Divulgação Cargill

Foi a repercussão desse comercial que gerou lucros para os estúdios investirem no licenciamento dos personagens, e a partir daí a Turma da Mônica virou uma potência de entretenimento genuinamente brasileira. Em 2015, a Turma da Mônica era usada por quase 3 mil produtos de mais de 150 empresas.

E não parou por aí: marcas de macarrão instantâneo, pão de queijo, frutas selecionadas, e outros alimentos também aderiram a personagens da Turma da Mônica em suas embalagens e identidades visuais. Foi aí que começou a extensão da marca de Mauricio de Souza. Mais tarde vieram os CD players, DVDs, roupas de cama, livros e brinquedos, que rapidamente ganharam espaço no mercado e fazem sucesso até hoje!

Produtos alimentícios da Turma da Mônica.
Foto 1: Fischer | Foto 2: Seara

Os brinquedos, por exemplo, passaram a representar um ponto de contato muito sólido entre a marca e o público. As crianças, por si só, já são imaginativas, mas os brinquedos fomentam essa imaginação em níveis físicos, através do tato, das formas, da representação palpável dos personagens, introduzindo o mundo da Turma da Mônica à vida real do público.

Bonecos da loja da Turma da Mônica.
Foto: Lojinha da Mônica

Filmes da Turma da Mônica

Além das revistas em quadrinhos e dos diversos produtos, a Turma estreou nas telas do cinema e da televisão. O primeiro filme foi o “Natal da Turma da Mônica”, lançado em 1976 em vídeo cassete, e mais tarde em DVD, que marcou muitas gerações.

No cinema, a Turma estrelou em “As Aventuras da Turma da Mônica” em 1982, e em “A Princesa e o Robô”, em 1984. As animações dos quadrinhos ao vivo e em cores transcenderam a literatura, e deram vida à imaginação das crianças. A experiência sensorial das animações, através de aspectos visuais, sonoros e até mesmo olfativos, fixaram a marca de vez no mercado, assim como na cabeça do público.

Primeiros filmes da Turma da Mônica.
Foto 1: “O Natal da Turma da Mônica” (1976) | Filmow
Foto 2: “As Aventuras da Turma da Mônica” (1982) | Enciclopédia Itaú Cultural
Foto 3: “A Princesa e o Robô” (1984) | IMDb

Isso tudo não é nada menos do que o branding nu e cru.

Em 2019, a Turma da Mônica lançou sua primeira produção cinematográfica protagonizada por atores em carne e osso. O filme “Laços”, dirigido por Daniel Rezende, conta com um enredo fantástico que parte do sumiço de Floquinho, o cachorro de Cebolinha. A história tornou-se tão real com a implementação de atores de verdade, que mais uma vez, a marca firmou-se perante o público, com mais presença do que nunca!

Mas falando em experiência real, o que toda criança brasileira sonhava em conhecer mesmo… era o Parque da Mônica.

O Parque da Mônica

O parque da Turma da Mônica, inaugurado em 1993 no Shopping ElDorado, em São Paulo, foi um marco nos anos 90. As cores, os brinquedos, a recriação do Bairro do Limoeiro e dos universos de todos os personagens da Turma teletransportaram crianças e adultos para o mundo das criações de Mauricio de Souza. Uma verdadeira experiência de marca. É quase como se o Parque da Mônica representasse, no Brasil, o que a Disney representa nos Estados Unidos, só que melhor: a literatura brasileira foi talhada em todos os cantos, em todos os brinquedos, em todas as vivências. Não somente a marca entrou na vida do público, mas sim o público entrou de cabeça na vivência da marca!

Além do parque paulistano, já foram abertos parques no Rio de Janeiro, em Curitiba, em Campinas, Goiânia e Olinda.

O Parque da Mônica também foi levado para Luanda, em Angola, no ano de 2010. No mesmo ano, o parque localizado na capital de São Paulo fechou, e foi reaberto em 2015 no Shopping SP Market, onde continua funcionando (e onde continua um sucesso!)

Ao materializar o universo de seus personagens, intenção de Mauricio de Souza, era de reconstruir o “quintal perdido”, o espaço ao ar livre que as crianças podiam brincar antigamente. O verde das árvores e da grama implementado nos parques, mesmo que de plástico, junto com as outras cores exuberantes e a sonoridade familiar dos personagens consolidou a marca Turma da Mônica como um meio de entretenimento completo, através de uma extensão fabulosa das historinhas outrora no papel.  

Pouco depois, o mundo da Turma da Mônica também foi materializado no ramo das artes, e em seguida desembocou no teatro.

Turma da Mônica O Show

Turma da Mônica O Show”, estreou no Teatro Santander em março de 2016, e não encantou apenas os olhos das crianças: fascinou os adultos e todo o público. Afinal, ver a as histórias que marcaram a infância e a vida de muitos tomarem formas reais e físicas, é com certeza um espetáculo emocionante. E o show deu vida a todos os personagens: desde o quarteto original (Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali), até A turma do Papa-Capim e muitos outros personagens secundários, garantindo uma imersão completa, de encher os olhos e o coração de cores e nostalgia.

A nostalgia, aliás, é um sentimento comum quando se trata de Turma da Mônica, que afinal, já fez, e ainda faz, parte da vida de muitas gerações. Desde as primeiras leituras da infância até a vida adulta, as coelhadas da Mônica sempre estiveram lá. Novamente, a maravilhosa experiência que o branding proporciona está presente, em meio a um turbilhão de sentimentos. Essa presença torna a Turma da Mônica uma marca atemporal, que cria identificação, e cresce junto com seu público.

Uma marca para todas as idades

Um exemplo de atemporalidade é a Turma da Mônica jovem, que foi criada em 2008, em estilo mangá. São histórias em quadrinhos da Turma crescida, voltadas para os adolescentes, que contam histórias dos dilemas da juventude que os personagens, assim como o público real, também têm de enfrentar. Foram ilustradas através da preocupação em criar engajamento com o público adolescente também, que.

Turma da Mônica jovem.
Foto: Rolling Stone | Divulgação MSP

Além de se adaptar ao público adolescente, a marca também se adaptou à era Netflix quando inseriu uma série de episódios denominada “Turma da Mônica”, outra série chamada “Cine Gibi” e o “Mônica Toy” na plataforma. O último, principalmente, é voltado para crianças de 1 a 4 anos de idade.

Produções Turma da Mônica no Netflix.
Foto 1: Cine Gibi | NoNetflix
Foto 2: Mônica Toy | Netflix

Essas produções, no entanto, encontram-se na plataforma Netflix com disponibilidade internacional, atingindo proporções quase que globais.

Atualmente, plataformas como Netflix e outras provedoras globais de filmes e séries estão em alta, e atingem mais de 200 milhões de assinantes. É, portanto, um dos pontos de contato entre marca e consumidor mais fortes que existem.

Do Brasil pro mundo

Desde os comerciais do molho de tomate com Jotalhão, do parque da Mônica em Luanda, até as produções cinematográficas exibidas em outros países, a marca Turma da Mônica é um sucesso mundial. Pontos de venda da Turma foram implementados em países da América Latina, como México, e em países europeus como Portugal. Países como China e Arábia Saudita também possuem interesse em investir na marca brasileira, que tem muito potencial de vendas. As tirinhas de Mauricio de Souza criadas a mais de 50 anos atrás, de fato figuraram um “plano infalível”, como diz Cebolinha, porque os quadrinhos se tornaram atualmente uma marca de 2,7 bilhões.

Banca da Turma da Mônica no México.
Ponto de venda da marca Turma da Mônica no México.
Foto: ApexBrasil

Os licenciamentos da marca geram 90% do faturamento da Maurício de Sousa Produções. A linha editorial, a linha de produtos infantis (brinquedos, fraldas etc) e a linha de produtos alimentícios são o carro-chefe do faturamento.

O número de vendas das revistas da Turma da Mônica já bateu 1 bilhão, e as visualizações em plataformas digitais vem crescendo cada vez mais. As produções televisivas e cinematográficas, somadas às peças de teatro e ao parque temático, são fatores que geram um ponto de contato tão forte com o público que a marca Turma da Mônica simplesmente torna-se cada vez mais familiar e presente na vida das pessoas.

Prestes a alcançar três mil produtos, Turma da Mônica não parou de se atualizar, e vem ingressando em plataformas mobile e redes sociais, através de aplicativos de jogos e muitos outros, focando nas próximas gerações extremamente conectadas e tecnológicas. 

E sim, tudo isso é motivo de orgulho, pois é 100% brasileiro. E não apenas por ser uma marca criada no Brasil, ou por ser um autor nacional, mas muito por conta dos personagens, os quais representam as diversas realidades, culturas e trejeitos brasileiros, cada um a sua maneira.

Os diversos personagens

Confira aqui os personagens principais da Turma da Mônica, e relembre todos os personagens que fizeram parte da infância da maioria dos brasileiros:

Cebolinha

Apareceu nas tirinhas em 1959, inspirado em um amigo de infância de Mauricio de Souza. É notado pelos seus cinco fios de cabelo, e pelo fato de trocas os “R” por “L”. Está sempre bolando planos infalíveis pra roubar Sansão, o coelho de pelúcia de Mônica. É dono do cachorro Floquinho, que é tão peludo que nunca se sabe para que lado está seu rosto. Vive no bairro do Limoeiro com seus pais e sua irmãzinha, Maria Cebolinha.

Cascão

Melhor amigo de Cebolinha, e também foi inspirado em um dos amigos da infância do autor. Também vive no bairro do Limoeiro com sua família. Morre de medo de água e seu maior pavor é ter que tomar banho, do qual foge incansavelmente. Ganhou sua própria revista em 1982, e possui um porco de estimação chamado Chuvinista. É fascinado por futebol e vive se metendo em confusões.

Mônica

Mônica, a protagonista da Turma, foi inspirada na segunda filha do primeiro casamento de Mauricio de Souza. Sua primeira aparição foi em 1963, em uma das tirinhas do Cebolinha, e ganhou revista própria em 1970. É dentuça, baixinha, gorducha e brava. Seu maior xodó é seu coelho de pelúcia Sansão, o qual é sempre alvo das travessuras de Cebolinha e Cascão, que claro, acabam apanhando no final. Vive no bairro do Limoeiro com sua família e sempre participa das aventuras da Turma.

Magali

Foi inspirada naterceira filha do primeiro casamento de Mauricio, e é a personagem mais comilona da turma. Apareceu pela primeira vez em 1963, e virou melhor amiga da Mônica. Ganhou sua própria revista em 1989 e desde então ilustra as historinhas sempre com fome, comendo tudo que há a sua frente. Mora com seus pais e é dona do gatinho Mingau, que tem um gênio muito forte. Namora Quinzinho, que claro, é filho do padeiro do bairro do Limoeiro.

Campus Party 2018.
Foto: Arkade

Franjinha e Bidu

Foram os primeiros personagens criados por Mauricio de Souza, em 1959. Franjinha é um cientista que vive fazendo novas experiências, e geralmente se mete em confusão. Seu cachorro, Bidu, sempre acompanha suas aventuras, e é um ícone da Turma da Mônica.

Personagens Franjinha e Bidu evoluídos.
Foto: Parque da Mônica

Anjinho

É o anjo da guarda das crianças do Bairro do Limoeiro. Sempre se mete em confusões para salvar os pequenos de possíveis acidentes e situações de risco, mas no final das contas sempre da tudo certo. Geralmente também participa das aventuras e brincadeiras da Turma.

Personagem Anjinho.
Foto: Dentro da História

Personagens do Bairro do Limoeiro

Também fazem parte da Turma: Jeremias, Titi, Do Contra, Xaveco, Ronaldinho Gaúcho (sim, inspirado no jogador!), Dudu, Luca, Quinzinho, Tikara, Humberto, Nimbus, Nico Demo, Marina, Aninha, Denise, Carminha Frufru, Milena, Dorinha, Tati, Keika, e muitos outros!

Turma do Papa-Capim

É uma série de histórias criadas por Mauricio de Souza e protagonizadas pelo povo indígena brasileiro, que se passa na Floresta Amazônica e é cheia de mensagens ecológicas. Esses quadrinhos foram criados para gerar identificação com as origens nativas do Brasil, e para contemplar a população indígena.

Papa-Capim: Um indiozinho curioso e aventureiro, que te, bom coração e ama os animais. Protege a floresta onde vive e conscientiza o público sobre a importância dos cuidados à natureza.

Cafuné: Melhor amigo de Papa-Capim. Costuma ser um tanto desastrado, mas sempre com boas intenções, e tem um coração enorme!

Jurema: Indiazinha que namora Papa-Capim.

Turma do Chico-Bento

Histórias que remetem à infância de Mauricio de Souza, vivida no interior de São Paulo. As tirinhas foram ilustradas na Vila Abobrinha, uma cidadezinha fictícia que representa as raízes do interior de São Paulo.

Chico Bento: caipira nato, que vive descalço e calçando roupas simples. Não gosta muito de estudar, e fala usando muitos dialetos caipiras. Nas horas vagas costuma roubar goiabas de Nhô Lau, mas é um menino muito bondoso, defensor dos animais e da natureza.

Rosinha: namoradinha de Chico Bento, que sempre usa marias-chiquinhas e adora ir às quermesses, e é uma menina de coração muito bom.

Zé Lelé: é primo e melhor amigo de Chico Bento. É um personagem simplório e ingênuo, e acaba irritando as pessoas a sua volta por frequentemente cometer gafes.

Nhô Lau: fazendeiro ranzinza e rabugento, dono de vários pés de goiaba, os quais Chico Bento e seus amigos vivem roubando. No fundo, tem bom coração, e até gosta que as crianças vão atrás dele e de suas goiabas.

Turma do Penadinho

Turma do Penadinho é uma das séries dos quadrinhos que parodia histórias de terror e assombrações de forma engraçada e divertida. Foi criada para desmistificar os medos da infância, como disse Mauricio de Souza.

A Turma do Penadinho no cemitério.
Foto: Spinoff |Divulgação MSP

Penadinho: é o protagonista da turma, figurado por um fantasma fofo que vive na busca de assustar as pessoas, mas no fundo tem um bom coração.

Dona Morte: personagem que traz os novos moradores para o cemitério, mas tem um grande senso de humor, apesar de as pessoas fugirem dela.

Zé Vampir: vampiro que sempre tenta sugar o sangue de alguém, mas vive se metendo em confusão. É um grande amigo de penadinho, e mora dentro de um caixão.

Muminho: múmia antiga que veio do Egito, que é sempre alvo das brincadeiras de Penadinho e dos amigos, que pegam suas faixas e o giram como um pião.

Frank: monstro criado por cum cientista maluco, que tem bom coração e gosta de se divertir junto com as crianças. Está sempre caindo e quebrando partes do corpo.

Lobi: é um lobisomem bobão que se comporta como cachorro, sempre se coçando por conta de pulgas. Quando sai nas ruas para atacar alguém, acaba paquerando as mulheres, pois é muito xavequeiro.

Cranícola: um crânio ossudo mal-humorado que vive em uma pedra e sempre reclama de seus problemas e limitações. Usa sua mandíbula para se locomover.

Alminha: namorada do Penadinho, muito ciumenta, que tem pavor de baratas.

Monstrengo: monstro forte do corpo verde.

Turma da Mata

A Turma da Mata é um grupo de personagens animais humanoides vivendo em uma mata, representando um misto de hierarquia humana e selvagem.

Jotalhão: elefante verde e amigo de todos, que defende a mata e tornou-se símbolo do extrato de tomate da CICA.

Capa de revistinha da Turma da Mata.
Foto: Guia dos Quadrinhos | Divulgação MSP

Raposão: raposa malandra que vive na mata e usa sua esperteza para não fazer nada. Também é amigo de todos.

Coelho Caolho: é amigo de Jotalhão e Raposão. Usa óculos e tem mais filhos do que pode controlar.

Tarugo: é uma tartaruga lenta assim como todas as outras, mas é estressado, muito por conta de ser sempre atormentado pelos filhos do Coelho Caolho.

Rita Najura: formiga apaixonada por Jotalhão. Tenta se casar com ele a todo custo e não se importa com a diferença de tamanhos.

Rei Leonino: soberano e rei da mata. Está sempre com uma coroa na cabeça e muitas vezes é intolerante com os moradores da mata.

Luís Caxeiro: um ouriço azul que é primeiro-Ministro do Rei Leonino, e faz papel de puxa-saco do rei.

Turma da Tina

Turma de adolescentes que eram inicialmente personagens secundários, e tinham um visual hippie. Com o tempo, passaram a ser personagens titulares de seus próprios quadrinhos. Essa criação de Mauricio de Souza foi criada justamente para criar identificação com o público adolescente, e também com a cultura hippie, muito presente entre os jovens.

Tina: tem 18 anos e nasceu com traços da cultura hippie. Com um tempo foi adotando um visual mais “teen”, e passou a fazer faculdade de Jornalismo.

Versão antiga e atual da personagem Tina.
Foto: Veja São Paulo | Divulgação MSP

Rolo: personagem de cabelos e barbas azuis, paquerador e atrapalhado. Após os anos 2000 passou a seguir um estilo motoqueiro e rock’n’roll.

Pipa: amiga gordinha de Tina, e namorada do personagem Zecão. Está sempre com problemas para emagrecer, e é muito divertida.

Zecão: amigo de Tina e Rolo e namorado de Pipa, que tem características nerds e vive jogando videogame. Ficou conhecido por estar sempre enrolando para casar-se com Pipa.

Turma do Piteco

Personagens pré-históricos que vivem em cavernas, e andam com bastões de madeira e roupas feitas de pele de animais.

Piteco: Homo erectus solteirão, protagonista da turma, que vive caçando e pescando. Muitas vezes se mete em confusão com animais pré-históricos, mas sempre se safa.

Thuga: gordinha pré-histórica, sonhadora e romântica, que quer a todo custo casar-se com Piteco. É um dos personagens femininos mais antigos criados por Mauricio.

Tio Glunc: Tio de Thuga. É um velho mesquinho e interesseiro, que odeia pobres e quer ganhar a vida às custas dos outros.

Bolota: melhor amigo de Piteco, que sofre de calvície e é muito magro e narigudo. É casado e vive tentando convencer Piteco a se casar com Thuga.

Horácio e seus amigos

Personagens dinossauros da pré-história. Horácio, o dinossaurinho protagonista, apareceu pela primeira vez nas histórias da Turma do Piteco, mas depois ganhou histórias próprias.

Horácio: filhote de Tiranossauro Rex, muito gentil, amigo e alegre. Tem um bom coração, e apesar de sua espécie, prefere manter uma dieta vegetariana.

Lucinda: dinossaurinha cor-de-rosa e melhor amiga de Horácio, que na verdade é apaixonada pelo protagonista, apesar de ele não nutrir os mesmos sentimentos por ela.

Tecodonte: dinossauro melhor amigo de Horácio, que sempre o aconselha a não ser tão bonzinho com as pessoas.

Turma da Mônica é inclusão!

A Turma da Mônica sempre esteve atenta à diversidade social, e passou a incluir personagens com necessidades especiais nas histórias: Edu, que sofre de distrofia muscular; Dorinha, que é uma personagem cega; Tati, que tem síndrome de dowm; Luca, que é cadeirante e esportista. Todos eles fazem parte das aventuras, e são amigos de toda a Turma, o que colabora para a ideia de inclusão social.

Diferentes raças também foram contempladas nos quadrinhos. A Turma do Papa-Capim representa fortemente a cultura indígena. Personagens negros como Jeremias e Milena também estão presentes nas tirinhas, e os personagens Keika e Tikada são exemplos de que a cultura oriental também foi exaltada. Tudo foi milimetricamente pensado para gerar identificação com todos os tipos de público, e claro, arquitetado pelo gênio Mauricio de Souza para fazer muito sucesso.

O Maurício de Sousa

Maurício de Souza e seus personagens em evento.
Foto: Paulo Borgia

O escritor, cartunista e empresário brasileiro Mauricio de Souza, membro da Academia Paulista de Letras, ocupando a cadeira nº 24, é o mais famoso e reconhecido autor de histórias em quadrinhos no Brasil. Nascido no município de Santa Isabel em 27 de outubro de 1935, Mauricio tem origens caipiras.

Desde muito novo, teve contato com a arte e a literatura. Seu pai Antônio tinha uma gráfica e uma barbearia nos fundos de casa, as quais foram derrubadas pelas autoridades do Estado Novo em 1940. Sua mãe Petronilha, por sua vez, era poeta e escritora, e sempre recebia artistas de diversos segmentos em sua casa.

Em meio a essas influências, Mauricio sempre teve aptidão para a arte, e sua brincadeira preferida era desenhar. Ele enchia tudo de pinturas e desenhos, e seu primeiro personagem desenhado foi o Capitão Picolé, que posteriormente apareceu nas tirinhas da Mônica. Falando em tirinhas, a primeira vez que Mauricio viu uma revista em quadrinhos, se encantou. A partir daí, passou a desenhar cartazes e pôsteres para os mercadores de sua região.

Quando completou 19 anos, mudou-se para São Paulo com o sonho de ser ilustrador. Apresentou-se na redação do jornal policial Folha da Manhã, expondo seus desenhos, mas foi contratado como redator, e um pouco depois, passou a ser repórter policial. Foi em 1959 que Mauricio finalmente conseguiu publicar uma de suas tirinhas no jornal, e seus primeiros personagens foram Bidu e Franjinha.

Em 1959, Maurício de Souza conseguiu convencer o editor da Folha da Manhã a publicar uma tirinha vertical semanalmente . Desenhou então seus primeiros personagens, Bidu e Franjinha, que mais tarde seriam mundialmente conhecidos. Aos poucos, outros personagens como Cebolinha foram nascendo, e suas tirinhas se tornaram um sucesso nacional. Quando começou a ilustrar o caderno infantil da Folha de S. Paulo, em 1963, foi que sua carreira de cartunista de fato ganhou visibilidade. Nascia então um dos maiores autores de histórias de quadrinho do Brasil.

Suas maiores inspirações de personagens vieram de sua família. Foi casado três vezes e é pai de 10 filhos. Inspirou-se em suas filhas Mônica e Magali, de seu primeiro casamento, para criar as respectivas personagens. Os personagens secundários da Turma Nimbus e Do Contra foram inspirados em seus filhos Mauro e Mauricio Takeda.

Chico Bento e sua turma, por sua vez, também foram grandes inspirações de Mauricio, pois foram criados a partir das memórias do autor sobre sua infância, em Santa Isabel, inclusive os “furtos” nas goiabeiras, que eram travessuras infantis comuns à época e à região.

Foi através de uma infância humilde, de um caderno rabiscado, e muitas ideias na cabeça, que Mauricio de Souza criou uma das marcas brasileiras mais valorizadas e mais populares mundialmente.

Além da marca, o autor fez a diferença na literatura brasileira de forma geral: foi um dos pioneiros das histórias em quadrinhos no Brasil, implementou uma linguagem fácil e cheia de conteúdo em suas tirinhas, colaborou para o entendimento e aprimoramento do idioma através de narrativas ilustrativas. Além disso, em meio a uma literatura rebuscada e inacessível, Mauricio levou uma leitura compreensível e financeiramente possível para os mais diversos tipos de público. Mauricio não apenas criou histórias em quadrinhos: criou possibilidades de educação e cultura através de uma marca.

Uma marca que cresceu com seu público, acompanhando todas as fases desde à infância a vida adulta, criando identificação, gerando experiências e deixando muita nostalgia dos momentos de leituras dos gibis, em que a imaginação fluía, e a mente se teletransportava para o mundo das aventuras da Turma da Mônica. Uma marca que saiu do papel e voou diretamente para a realidade.

E sua marca, já saiu do papel para a realidade?

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