Estúdio Roxo

Como a embalagem da Apple oferece aos compradores uma experiência sensorial que fortalece a marca

06 Out. 2018
categoria Branding + Design + Marketing

A “experiência sensorial” pode não ser a primeira coisa que temos em mente quando pensamos em estratégia de marketing. No entanto, é a primeira experiência que os clientes têm com o seu produto: através da sua embalagem. A embalagem pode realmente ser tão importante quanto o item que contém.

Essa experiência sensorial continua quando eles a tocam e olham as imagens e o texto. A etiqueta pode ajudar os clientes a decidir se querem ou não comprá-los, mas se a embalagem não os engaja, é provável que eles não a comprem.

Um bom exemplo pode ser encontrado nas embalagens da empresa mais lucrativa do mundo: a Apple. Qualquer pessoa que já tenha visto a caixa de um iPhone, ou um novo MacBook, poderá imaginar a caixa branca minimalista com essas fontes metálicas cintilantes.

A Apple é um mestre reconhecido na criação de uma experiência sensorial icônica que comunica sua marca sem qualquer palavra ou até mesmo um logotipo. Isso porque a Apple torna sua embalagem artística e visualmente atraente como o próprio produto em si. Cada canto da caixa está limpo. A cor é um branco elegante e minimalista.

Cada parte da embalagem é projetada para ser limpa e direta. O design é simples em um mundo de desordem e superestimulação sensorial constante. A experiência sensorial icônica da Apple é a expressão da ausência de cores e imagens que chamam a atenção. E esse minimalismo é exatamente o que atrai os olhos.

Essa associação sensorial é reforçada pelo que está dentro da caixa: algo elegantemente apresentado, com um design limpo e simples de usar.

Para garantir que a abertura da caixa seja uma experiência única, A Apple conta com uma equipe de design, focada na experiência do usuário, que tem como objetivo transparecer a mesma mentalidade da empresa e do produto na construção, na abertura e nos materiais da caixa. O toque macio que a caixa proporciona é por conta de uma combinação de papel, mais um revestimento laminado, que ajudam a construir uma experiência sensorial.

A empresa também tem uma equipe dedicada a abrir centenas de caixas de protótipos. Essa equipe cria e testa versões infinitas de forma de caixa, ângulos e fitas. Isto não é apenas sobre estética. É também sobre uma embalagem que é fácil para os clientes abrirem, identificar facilmente as partes do componente e começar a usá-lo com facilidade. É um processo focado no cliente.

Para entender completamente o quão seriamente os executivos da Apple suam as pequenas coisas, considere isto: por meses, um time de designers de embalagens ficaram “trancados” em uma sala realizando a mais mundana das tarefas – abrindo caixas. O resultado final desse foco é a maravilhosa experiência de abrir um produto da Apple.

A visibilidade está diretamente ligada aos níveis de compra, é um dos principais motivos pelos quais 80% dos novos produtos de varejo falham. Contraste visual para outras marcas é a chave. A cor e as imagens dos produtos são as ferramentas mais poderosas da marca. No caso da Apple, as imagens que são super produzidas com uma plasticidade fenomenal a ponto de parecer uma obra de arte, gera um grande apelo visual que gera diferencial, agrega conceitos e enaltece o produto. A cor também é fundamental para seu produto se destacar na prateleira – e quanto menor a marca, mais importante é ‘possuir uma cor’ na prateleira. Embora não haja “cor mágica” para criar contraste, podemos dizer que as melhores soluções geralmente envolvem quebrar as regras.

A Apple trabalha muito bem com o conceito “menos é mais” quando se trata de texto na embalagem, mostrado em estudos de rastreamento ocular. Os compradores olham para um pacote de cerca de 5 segundos, decidindo se vão buscá-lo. Mais mensagens no pacote significam que mais mensagens competem pelos mesmos cinco segundos de atenção – o que torna menos provável que a mensagem seja transmitida aos compradores. Mais uma vez, a Apple é o mestre aqui, mostrando apenas o essencial na caixa e evitando a desordem que prejudicará a marca.

Não há dúvida de que a atenção de Steve Jobs para os pequenos detalhes é o que ajudou a Apple a se tornar a empresa que é hoje.

Em resumo, os consumidores esperam mais de uma experiência com suas embalagens e querem ser envolvidos e entretidos. Devido à necessidade de reconhecimento de marca e identificação e informação de variantes, a próxima geração de produtos de marca precisa olhar para o design como uma parte maior da marca, não apenas para criar conexões, mas também para gerar experiências.

Vamos começar nossa experiência? Vem ser Roxo com a gente.

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